terça-feira, 22 de maio de 2012

MOTIVAÇÃO

MOTIVAÇÃO


A cidade estava acordando. Vi uma mãe com seu filho no colo. Ela aguardava o ônibus que levaria seu bebê para a creche. Observando a trivial cena logo adiante de mim, segui em frente pedalando minha bicicleta e aproximando-me deles. Ao mesmo tempo, meus pensamentos procuravam motivação para mais um dia de rotina que começava. Não imaginava que esta busca estava tão perto de terminar.


Com os termômetros marcando poucos graus, e o brilho das luzes ainda opacas pela neblina, senti pena daquela criança tirada das cobertas naquela hora. Entre a maioria dos mortais, as primeiras horas de uma fria manhã é o melhor momento para encolher-se na cama e esticar o sono mais um tanto. O pequerrucho já enfrentava seus primeiros sacrifícios dos muitos que terá pela frente a fim de poupar grandes sofrimentos.


Passando mais perto daqueles dois que se apertavam, num olhar de viés notei a mãe inclinando-se com o rosto bem perto do filho. Entre sorrisos e cochichos ela começa a cobrir com beijos a face do pequeno, apertando-o mais ainda contra seu corpo. À medida que a distância entre nós aumentava, despedia-se dos meus ouvidos o som dos carinhos e brincadeiras entre eles. Continuei a pedalar sentindo-me respingado pelas águas de uma cascata de afetos despejando sobre o cálice daquela criança.


O amor manifestado de forma tão pura, em quaisquer condições, motiva e dá ordem de despejo ao medo e desalento. O pesar pela mãe e filho que velava meus sentimentos naquela manhã vestiu-se de luz e ânimo. A grata surpresa ao testemunhar aquela ilha de calor e meiguice cercada pela fria neblina aqueceu minhas emoções. Tomara que eles também tenham tido um gracioso início de dia como o que sutilmente me deram.






segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

ACENDER OU APAGAR?

Glamour, encantamento e brilho
Glamour, encantamento e brilho. Estes substantivos intangíveis transpiram por todos os espaços e momentos em viagens de transatlânticos como o Costa Concórdia, que afundou na costa oeste da Itália. Ares de dignidade entre tripulantes e tripulação tecem sobre o mar um clima bem diferente do que se vive  em terra. Aos que viajavam no Costa Concórdia, subitamente o romance se desfez: um solavanco abalou "tudo e todos" pelo encontro de uma rocha com o casco do navio. Como uma carruagem que virou abóbora, findou-se a viagem e o sonho dos milhares naquele castelo sobre as águas.

 Francesco Schettino
Hoje, a curiosidade levou-me a procurar uma imagem do capitão do navio. Encontrei na internet centenas de fotos de Francesco Schettino. Fotos de antes e depois do acidente.  As tiradas após o acidente são muitas, mostrando-o com cara de "Cinderela sem os sapatinhos de cristal". Mas encontrei apenas uma imagem dele antes da fatídica noite; nela, sua pose e aparência são como as de um galã do tipo 007: transmitem confiança e magnetismo.

Agora, todos sabem que, se ele gritou “mulheres e crianças primeiro”, foi do lado de fora do navio, e no primeiro lugar seguro que encontrou naquela noite escura. Estranhamente, pensando na madrugada negra daquelas pessoas, lembrei-me das muitas noites sem luz que povoaram meus dias de criança. Para mim, e para meus irmãos e amigos da rua, as noites quentes e escuras eram cenário perfeito para caçarmos vagalumes: com uma peneira nas mãos, de pernas finas e joelhos grossos, corríamos atrás das pequenas luzes de cor verde que voavam sobre nossas cabeças. A caçada acabava quando conseguíamos jogar a peneira sobre os pontinhos luminosos, interrompendo aquele vôo reluzente.

Com o cuidado e a precisão de um caçador, guardávamos em caixas de fósforos aqueles pirilampos. Era um mistério para nós, mas o simples inseto, quando ameaçado, acendia uma luz esverdeada, tornando aquelas caixinhas como um troféu nas nossas mãos. Após tanto tempo, a imagem daquela luz e a lembrança das caixinhas estão guardadas nos meus pensamentos feito jóias em estojos de veludo. Entretanto, a figura estelar do capitão se desfará breve, pois no escuro e diante do medo, até que provem o contrário, o brilhante Francesco apagou-se, transformando-se em um tosco ser. Com atitude oposta à do capitão, no escuro e diante do medo, o rude vagalume brilhava uma luz que encantava nossos olhos, provocando a sensação de sonhar acordado. Isto sim, quero guardar e imitar.
Acender ou apagar?

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

SHOW DA TARDE

Ontem à tarde, no quintal de casa, assisti um show incrível de um artista invisível.
Não resisti e fiz algumas fotos pensando em compartilhar com você.
Anexei algumas delas, mas desculpe-me, pois não foi possível fotografar temperatura, vento e movimento.


Red and Blue


Sintonia de luzes

Captação do ocaso

Tudo azul
Mais que pote de ouro

Até a chaminé parou para ver

Chumbo e ouro no céu

Cortina celeste

Nuvens em chama


DESEJO E ANSIEDADE


Nos dias que cercavam a travessia de 2011 para 2012, os traquinas Desejo e Ansiedade disputavam lugares e prioridades em minha mente fazendo a maior balburdia. Do jeito que a coisa estava deduzi que uma gastrite chegaria em mim antes de 2012. 

Para dar fim na bagunça fiz o seguinte: Sentei cada deles entre meus neurônios, louvei a Deus, e em seguida li para eles uma parte do sermão do monte em Mateus 6:33 que diz: "Mas buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.".

Após isso, a paz de um bebê dormindo, como um lençol cobriu meus pensamentos, e os impertinentes habitantes da mente disseram amem.

Feliz 2012 com muita paz!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

2012 COM UM OLHO NO PEIXE E OUTRO NO GATO!

Em todo reveillon sinto vontade de saber o que vai acontecer no final do ano seguinte. Porém, esse ano, essa vontade aumenta ainda mais! Mesmo que fosse só um pouquinho, eu gostaria de ver o próximo ano como muitos costumam ler uma revista ou jornal: do fim para o começo. O motivo: uma ousada data marcada para o Apocalipse (ainda que muitos duvidem).

Dizem por todo lugar (e desta vez até o cinema deu força com o filme “2012”), que o mundo vai acabar em 21 de dezembro de 2012. Tudo tem a ver com o solene calendário do povo Maia, que finaliza os tempos nesta data. Pode ser que o mestre que elaborava o calendário teve um “piripaque” e não terminou seu trabalho, deixando-o parado na trágica data de 21 de dezembro de 2012. Porém, pode ser que ele deu um chute certeiro.


O conselho do Chapolin “não criem cânico” seria apropriado nestes dias. Entretanto, ao colocar os pés no chão no próximo dia 1 de janeiro será difícil evitar a sensação de estar entrando no Titanic sabendo o final da história. Aliás, em 2012 completam-se 100 anos do acidente com o luxuoso navio e seus 1528 passageiros. No filme mais recente sobre a trágica viagem, a trilha sonora com Celine Dion mesclou-se com o som de violinos tocando o hino cristão “Mais perto quero estar, meu Deus de ti” quando todos souberam do inevitável naufrágio. Somente com esta canção no pensamento e no coração será possível atender ao Chapolin.

O seguro morreu de velho, diz o ditado popular. E, de acordo com essa máxima, acho melhor tomar umas providências mais radicais que vestir roupa branca ou pular sete ondinhas no mar nesse reveillon. Se a previsão é para ganhar ibope, descobriremos no dia seguinte da fatídica data. Se não, prudente é seguir o conselho de Jesus aos seus ansiosos discípulos que o pressionaram sobre o fim do mundo. O mestre respondeu: “Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor”. Sendo assim, bom é entrar em 2012 com um olho no peixe, e outro no gato!