Crônicas do cotidiano com uma pitada de emoção e sensibilidade para serem lidas em 2 minutos, ou mais...
terça-feira, 29 de maio de 2018
Você conhece alguém com o nome Esperança?
Fiz a pergunta porque às vezes tenho a sensação que ela deve ser uma pessoa, e penso nela quase sempre, ou seja, no substantivo feminino esperança. Suponho ser prudente avisar já para evitarmos divergências nos pontos de vista, e se sua leitura terminar por aqui, os pingos nos is já foram postos.
Imagino-a como um ser quase etéreo que abençoa com fluidez e leveza todos que encontra por onde passa. Poucos a percebem quando chega ou sai, mas em quase todos imprime a certeza que esteve bem perto, tornando mais doce o modo de ver e pensar a vida. A aridez ao sentir e encarar presente e futuro é a denúncia que ela não está por perto.
Confesso que não são poucos os dias que rompem-se a mim com a sensação que ela não dormiu comigo. Nestes dias, após os pés tocarem o chão, é dada a largada em busca dela copiando a iniciativa do escritor sagrado Jeremias que declamou “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança” em Lamentações 3:21. Invariavelmente segue por quase todo dia essa peleja para pôr rédeas em meus neurônios tão disciplinados quanto os ventos. Em tais dias ficam bem as rédeas da esperança nas idéias assim como na égua que atende pelo mesmo nome.
A propósito, uma busca no google por pessoas com o nome Esperança levou-me a uma página da internet com um levantamento inédito do IBGE; São números dos nomes da população brasileira baseado no Censo de 2010. Este interessante apontamento me convenceu que verei um raio cair duas vezes no mesmo lugar antes de encontrar alguém que atende pelo nome Esperança. E é bom que seja assim, pois minha curiosidade quase infantil ficaria muda diante da retórica indagação da carta de Paulo aos cristãos romanos: “esperança que se vê não é esperança; pois como pode alguém anelar por aquilo que está vendo?“ Rm 8:24.
Compartilho o link do IBGE Nomes no Brasil: https://www.ibge.gov.br/ censo2010/apps/nomes/#/search
sábado, 24 de dezembro de 2016
Ai de mim se não fosse o Natal
Ai de mim se não fosse o Natal. Não este Natal do tipo locomotiva que puxa os vagões do comercio, da indústria, e de serviços. Estes podem puxar para cima os lucros e os empregos temporários, mas são impotentes para levantar os cansados, os oprimidos, os enlutados, os famintos. Ai deles que só aumentam enquanto entra e sai Natal.
Ai de mim se não fosse o primeiro Natal. Este sim (e não os outros milhares) aconteceu para salvar o mundo. Mundo feito perfeito, mas que despencou. Queda feia, queda mortal. Caiu dos altos degraus da pureza, da justiça, do amor.
Ai de mim que querendo ou não neste mundo fui concebido contaminado com seu DNA. Ao nascer ganhei a passagem para um voo destinado à queda, precipitado da presença do criador, da face do Pai. Peregrino achei-me sem saber como voltar e nem para onde ir.
Ai de mim se não fosse aquela criança de Belem marcada para morrer com morte de cruz. Tomou para si a sentença que era minha. Morreu para ressuscitar. Reviveu para abrir caminho. Estreou a única rota para que um peregrino como eu fosse resgatado de volta ao Pai e à verdadeira vida sem fim.
Ai de mim se eu tivesse apenas votos formais de mais um feliz Natal para repetir a você e aos teus. Porem, anseio que as novas de alegria proclamada pelos anjos naquela noite revelem-se a você e família, levando-os como aos pastores e aos sábios ao encontro de Jesus: “Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isto vos será por sinal: Achareis o menino envolto em panos, e deitado numa manjedoura. (Lucas 2:11-12)”.
quarta-feira, 13 de março de 2013
O MELHOR NEGÓCIO DO MUNDO
domingo, 8 de julho de 2012
A COZINHA DE SININHO
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| Metamorfose |
A mudança da “cozinha abóbora” para uma “cozinha carruagem” começou quando uma nova faxineira passou a cuidar daquele lugar. Pouco depois que ela chegou ocorreu a seguinte cena:
terça-feira, 22 de maio de 2012
MOTIVAÇÃO

A cidade estava acordando. Vi uma mãe com seu filho no colo. Ela aguardava o ônibus que levaria seu bebê para a creche. Observando a trivial cena logo adiante de mim, segui em frente pedalando minha bicicleta e aproximando-me deles. Ao mesmo tempo, meus pensamentos procuravam motivação para mais um dia de rotina que começava. Não imaginava que esta busca estava tão perto de terminar.
Com os termômetros marcando poucos graus, e o brilho das luzes ainda opacas pela neblina, senti pena daquela criança tirada das cobertas naquela hora. Entre a maioria dos mortais, as primeiras horas de uma fria manhã é o melhor momento para encolher-se na cama e esticar o sono mais um tanto. O pequerrucho já enfrentava seus primeiros sacrifícios dos muitos que terá pela frente a fim de poupar grandes sofrimentos.
Passando mais perto daqueles dois que se apertavam, num olhar de viés notei a mãe inclinando-se com o rosto bem perto do filho. Entre sorrisos e cochichos ela começa a cobrir com beijos a face do pequeno, apertando-o mais ainda contra seu corpo. À medida que a distância entre nós aumentava, despedia-se dos meus ouvidos o som dos carinhos e brincadeiras entre eles. Continuei a pedalar sentindo-me respingado pelas águas de uma cascata de afetos despejando sobre o cálice daquela criança.
O amor manifestado de forma tão pura, em quaisquer condições, motiva e dá ordem de despejo ao medo e desalento. O pesar pela mãe e filho que velava meus sentimentos naquela manhã vestiu-se de luz e ânimo. A grata surpresa ao testemunhar aquela ilha de calor e meiguice cercada pela fria neblina aqueceu minhas emoções. Tomara que eles também tenham tido um gracioso início de dia como o que sutilmente me deram.

