sábado, 24 de dezembro de 2016

Ai de mim se não fosse o Natal

Chegamos a mais um Natal!

Ai de mim se não fosse o Natal. Não este Natal do tipo locomotiva que puxa os vagões do comercio, da indústria, e de serviços. Estes podem puxar para cima os lucros e os empregos temporários, mas são impotentes para levantar os cansados, os oprimidos, os enlutados, os famintos. Ai deles que só aumentam enquanto entra e sai Natal.

Ai de mim se não fosse o primeiro Natal. Este sim (e não os outros milhares) aconteceu para salvar o mundo. Mundo feito perfeito, mas que despencou. Queda feia, queda mortal. Caiu dos altos degraus da pureza, da justiça, do amor.

Ai de mim que querendo ou não neste mundo fui concebido contaminado com seu DNA. Ao nascer ganhei a passagem para um voo destinado à queda, precipitado da presença do criador, da face do Pai. Peregrino achei-me sem saber como voltar e nem para onde ir.

Ai de mim se não fosse aquela criança de Belem marcada para morrer com morte de cruz. Tomou para si a sentença que era minha. Morreu para ressuscitar. Reviveu para abrir caminho. Estreou a única rota para que um peregrino como eu fosse resgatado de volta ao Pai e à verdadeira vida sem fim.

Ai de mim se eu tivesse apenas votos formais de mais um feliz Natal para repetir a você e aos teus. Porem, anseio que as novas de alegria proclamada pelos anjos naquela noite revelem-se a você e família, levando-os como aos pastores e aos sábios ao encontro de Jesus: “Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isto vos será por sinal: Achareis o menino envolto em panos, e deitado numa manjedoura. (Lucas 2:11-12)”.

quarta-feira, 13 de março de 2013

O MELHOR NEGÓCIO DO MUNDO


Quando estava concluindo a faculdade eu assistia, frequentemente, ao programa Pequenas Empresas Grandes Negócios. Sonhava em abrir meu próprio negócio. Mas, havia uma pergunta que atormentava meu sonho: qual seria o melhor negócio para se investir? A resposta que eu sempre ouvia de quem pensava para responder era pouco objetiva, mas bem razoável: depende. Depende dos interesses e metas e, é claro, de quanto se tem no bolso. Como minhas ideias eram tão vazias quanto meu bolso, o tempo passou e não abri nem uma pequena empresa e nem um grande negócio. 

Mas, se pudesse voltar à idade que eu tinha cabelo sobre a cabeça, com os ideais que tenho dentro dela hoje, eu escolheria um negócio que seria a melhor ideia, no mundo.

domingo, 8 de julho de 2012

A COZINHA DE SININHO


Metamorfose
Há uma cozinha entre os banheiros e a sala do meu local de trabalho. Hoje ela parece uma borboleta que saiu do casulo. Meses atrás, seria necessário um anúncio com a palavra “cozinha” afixado nas portas a fim de avisar em que ambiente estava quem passasse por ela. Atualmente as placas seriam  supérfluas. Aliás, até os mais distraídos conseguem sentir que estão num ambiente que convida para um cafezinho em volta de uma mesa ou encostando-se ao granito de uma pia.

A mudança da “cozinha abóbora” para uma “cozinha carruagem” começou quando uma nova faxineira passou a cuidar daquele lugar. Pouco depois que ela chegou ocorreu a seguinte cena:

terça-feira, 22 de maio de 2012

MOTIVAÇÃO

MOTIVAÇÃO


A cidade estava acordando. Vi uma mãe com seu filho no colo. Ela aguardava o ônibus que levaria seu bebê para a creche. Observando a trivial cena logo adiante de mim, segui em frente pedalando minha bicicleta e aproximando-me deles. Ao mesmo tempo, meus pensamentos procuravam motivação para mais um dia de rotina que começava. Não imaginava que esta busca estava tão perto de terminar.


Com os termômetros marcando poucos graus, e o brilho das luzes ainda opacas pela neblina, senti pena daquela criança tirada das cobertas naquela hora. Entre a maioria dos mortais, as primeiras horas de uma fria manhã é o melhor momento para encolher-se na cama e esticar o sono mais um tanto. O pequerrucho já enfrentava seus primeiros sacrifícios dos muitos que terá pela frente a fim de poupar grandes sofrimentos.


Passando mais perto daqueles dois que se apertavam, num olhar de viés notei a mãe inclinando-se com o rosto bem perto do filho. Entre sorrisos e cochichos ela começa a cobrir com beijos a face do pequeno, apertando-o mais ainda contra seu corpo. À medida que a distância entre nós aumentava, despedia-se dos meus ouvidos o som dos carinhos e brincadeiras entre eles. Continuei a pedalar sentindo-me respingado pelas águas de uma cascata de afetos despejando sobre o cálice daquela criança.


O amor manifestado de forma tão pura, em quaisquer condições, motiva e dá ordem de despejo ao medo e desalento. O pesar pela mãe e filho que velava meus sentimentos naquela manhã vestiu-se de luz e ânimo. A grata surpresa ao testemunhar aquela ilha de calor e meiguice cercada pela fria neblina aqueceu minhas emoções. Tomara que eles também tenham tido um gracioso início de dia como o que sutilmente me deram.






segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

ACENDER OU APAGAR?

Glamour, encantamento e brilho
Glamour, encantamento e brilho. Estes substantivos intangíveis transpiram por todos os espaços e momentos em viagens de transatlânticos como o Costa Concórdia, que afundou na costa oeste da Itália. Ares de dignidade entre tripulantes e tripulação tecem sobre o mar um clima bem diferente do que se vive  em terra. Aos que viajavam no Costa Concórdia, subitamente o romance se desfez: um solavanco abalou "tudo e todos" pelo encontro de uma rocha com o casco do navio. Como uma carruagem que virou abóbora, findou-se a viagem e o sonho dos milhares naquele castelo sobre as águas.

 Francesco Schettino
Hoje, a curiosidade levou-me a procurar uma imagem do capitão do navio. Encontrei na internet centenas de fotos de Francesco Schettino. Fotos de antes e depois do acidente.  As tiradas após o acidente são muitas, mostrando-o com cara de "Cinderela sem os sapatinhos de cristal". Mas encontrei apenas uma imagem dele antes da fatídica noite; nela, sua pose e aparência são como as de um galã do tipo 007: transmitem confiança e magnetismo.

Agora, todos sabem que, se ele gritou “mulheres e crianças primeiro”, foi do lado de fora do navio, e no primeiro lugar seguro que encontrou naquela noite escura. Estranhamente, pensando na madrugada negra daquelas pessoas, lembrei-me das muitas noites sem luz que povoaram meus dias de criança. Para mim, e para meus irmãos e amigos da rua, as noites quentes e escuras eram cenário perfeito para caçarmos vagalumes: com uma peneira nas mãos, de pernas finas e joelhos grossos, corríamos atrás das pequenas luzes de cor verde que voavam sobre nossas cabeças. A caçada acabava quando conseguíamos jogar a peneira sobre os pontinhos luminosos, interrompendo aquele vôo reluzente.

Com o cuidado e a precisão de um caçador, guardávamos em caixas de fósforos aqueles pirilampos. Era um mistério para nós, mas o simples inseto, quando ameaçado, acendia uma luz esverdeada, tornando aquelas caixinhas como um troféu nas nossas mãos. Após tanto tempo, a imagem daquela luz e a lembrança das caixinhas estão guardadas nos meus pensamentos feito jóias em estojos de veludo. Entretanto, a figura estelar do capitão se desfará breve, pois no escuro e diante do medo, até que provem o contrário, o brilhante Francesco apagou-se, transformando-se em um tosco ser. Com atitude oposta à do capitão, no escuro e diante do medo, o rude vagalume brilhava uma luz que encantava nossos olhos, provocando a sensação de sonhar acordado. Isto sim, quero guardar e imitar.
Acender ou apagar?